Por Redação com Extra Online
Uma operação integrada entre os ministérios públicos e as secretarias de Segurança Pública do Rio de Janeiro e do Ceará, feita no sábado, revelou o grau de crueldade de uma facção criminosa cearense que se instalou na Rocinha, Zona Sul do Rio, com apoio logístico do Comando Vermelho (CV). Segundo o procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, o grupo, filiado ao CV, é responsável por mais de mil homicídios no Ceará nos últimos dois anos — muitos deles cometidos com requintes de crueldade.
— Eles usavam motosserras para esquartejar seus inimigos e ainda jogavam futebol com suas cabeças. Eles filmavam tudo — declarou Campos Moreira, durante entrevista no Quartel-General da Polícia Militar, de onde a ação foi monitorada em tempo real.
O principal alvo da ofensiva era a cúpula da facção, que operava à distância de dentro de uma mansão na localidade da Dioneia, no alto da Rocinha. O imóvel de luxo, equipado com duas piscinas aquecidas, cascata e área gourmet. Ao lado da casa, os investigadores localizaram uma espécie de alojamento para membros da facção que chegavam do Nordeste.
— São alvos do Ceará. Não tem nenhum do Rio de Janeiro. Todos eles são filiados à facção Comando Vermelho. Obviamente era a facção do Rio que dava suporte para eles. O Rio já é, há algum tempo, o “home office” da criminalidade. Vários criminosos de outros estados vêm para cá, e isso se intensificou a partir da pandemia e da ADPF 635 — disse Victor Cesar Carvalho dos Santos, secretário de Segurança do Rio de Janeiro, ao RJTV2, da TV Globo.