Por Redação com Ascom Ufal
Foi uma sessão histórica com todas as características: uma pauta de impacto social e político, a presença de líderes da resistência ao regime ditatorial, familiares dos estudantes mortos durante esse período obscuro que durou 21 anos (1964-1985) e muita emoção em cada intervenção. Assim foi a reunião ordinária do Conselho Universitário (Consuni), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
O reitor Josealdo Tonholo abriu os trabalhos do dia 1º de abril, na data em que se completou 61 anos do Golpe Militar, e convidou para a mesa o sociólogo Edval Cajá, que veio de Recife especialmente para participar deste evento, e também o presidente e o vice-presidente da Comissão da Verdade Jayme Miranda, Delson Lyra e Everaldo Patriota, respectivamente.
No pronunciamento inicial, Tonholo enfatizou a importância de trazer este debate de reparação histórica para o Consuni e agradeceu às duas conselheiras que fizeram o requerimento para reintegração e diplomação dos estudantes Gastone Beltrão, Dalmo Lins e Manoel Lisboa. “Essa é uma iniciativa da maior relevância para a defesa do Estado Democrático de Direito”, ressaltou o reitor.
As conselheiras requerentes, Emanuelle Rodrigues, professora do curso de Comunicação Social, e Iracilda Moura, professora do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) e sobrinha de Manoel Lisboa, leram o texto do requerimento, que foi baseado no relatório da Comissão da Verdade. “Consideramos fundamental que a Universidade reveja as posturas que, enquanto instituição de ensino, foram de encontro a sua missão de difundir conhecimento e afrontaram direitos humanos básicos”, defendeu a professora Emanuelle.
Iracilda Moura destacou a emoção pessoal diante do tema, como pessoa que vivenciou na própria família os horrores dos sequestros e torturas que foram perpetrados pelo Estado brasileiro naqueles anos. “É preciso fazer essa reparação histórica, não só por nós familiares que sentimos essa dor de perto, mas para que nunca mais no Brasil os direitos humanos sejam atacados e o Estado promova torturas e assassinatos. Minha avó lutou para localizar tio Manoel quando ele foi sequestrado e, mesmo tendo parentes militares, não conseguimos notícias. Até saber que ele foi assassinado. Mas ainda tentaram forçar a versão de uma suposta troca de tiros onde ele teria sido morto, quando na verdade ele foi assassinado sob tortura”, relatou a docente.