Por Redação com Uol
Um agricultor alagoano ganhou vida nova, pelo menos em termos cartoriais, ao registra-se pela primeira vez como cidadão brasileiro, aos 46 anos de vida.
Edmilson dos Santos, nascido e criado em Traipu, no Sertão de Alagoas, ganhou seu primeiro e único documento: a certidão de nascimento, emitido na última quinta-feira (20), pelo cartório da cidade.
O agricultor, que mora nno povoado Chã do Barro, no vizinho município de Girau do Ponciano (a 153 km de Maceió), vive da agricultura de subsesitência, em um terreno pertencente ao seu sogro. Ele nunca foi ao médico para consulta e nem mesmo ao dentista.Também não teve acesso aos serviços públicos.
Segundo explica a juíza Natália Cerqueira de Castro, autora da sentença, “é como se ele não existisse”. A reportagem de Carlos Madeiro, no UOL, precisou ligar para o celular de um amigo, que o acompanhou até o cartório, nesta quinta-feira.
Edmilson nunca estudou na vida, e por isso não sabe ler ou escrever. “Meu avô que me botou para trabalhar desde novo na roça, e nunca deixei”, diz. “Eu nunca tive nada [de documento] na vida. Só fazia meu serviço: plantar macaxeira, feijão, milho e abóbora para comer.
Sem identificação, sem atendimento
Uma das tensões vividas pelo homem que não tinha documentos deu-se no hospital, em 2022, quando, ao sentir uma dor intensa, precisou procurar a unidade. Porém, sem documentos, precisou da intervenção do melhor amigo, Ernandes Messias dos Santos, também agricultor, de 39 anos.
“Eu tinha registro no hospital e eu que o levei; disse isso, mas a mulher afirmou que tinha de ter ao menos o cartão do SUS. Aí eu disse: ‘como ele vai ter, se não tem nem o registro? Vai deixar o homem morrer por causa disso?'”, clamou Ernandes.
O médico plantonista foi sensibilizado pela súplica e atendeu Edmilson. Após a suspeitas de pedra no rim ou na vesícula ter sido descartada, o médico disse que a dor nas costelas sentida por ele tratava-se de um mau jeito.